







Rui Vasconcelos
Vozes
Rui Estêvão
Ana Pires
Seleção de Músicas
Marta Saraiva
«Lenten is come» © Direitos de autor reservados a Magnatune
Hoje é dia vinte de janeiro, terça-feira da segunda semana do Tempo Comum.
Hoje, começa a tua oração agradecendo. Agradece ao Senhor por não te deixar na solidão, por se fazer teu companheiro de viagem, onde quer que estejas. Diz ao Senhor: “Ó Deus, não me abandoneis, não abandoneis a obra das vossas mãos”… e começa assim a tua oração.
Escuta esta passagem do Evangelho segundo São Marcos.
Mc 2, 23-28
Passava Jesus através das searas num dia de sábado
e os discípulos, enquanto caminhavam,
começaram a apanhar espigas.
Disseram-lhe então os fariseus:
«Vê como eles fazem ao sábado o que não é permitido».
Respondeu-lhes Jesus:
«Nunca lestes o que fez David,
quando teve necessidade e sentiu fome, ele e os seus companheiros?
Entrou na casa de Deus,
no tempo do sumo sacerdote Abiatar,
e comeu dos pães da proposição,
que só os sacerdotes podiam comer,
e também os deu aos companheiros».
E acrescentou:
«O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado.
Por isso, o Filho do homem é também Senhor do sábado».
Os fariseus questionam Jesus sobre o respeito pelo dia de sábado. Não está em causa a consagração divina do tempo, mas o enredá-lo num novelo de normas. Primando a casuística, perde-se o sopro criador. Tal é o perigo permanente de qualquer experiência religiosa: quando no centro é colocado o código, devido ao medo provocado pelo outro, pelo diferente, pelo futuro. Onde fica a aliança?
Interrogado à luz da tradição, Jesus responde com a própria tradição, nela recolhendo coisas novas e coisas antigas. O desconhecimento da história, das origens e dos passos conduz à idolatria do presente. O sábado bíblico é estabelecido para libertar o ser humano do instinto da posse e da exploração do outro. À lógica da posse sobrepõe-se a lógica do dom.
O sábado, ou o modo de habitar e construir o tempo e as relações: aí está, de novo, o texto evangélico. Mergulha na Escritura, não para condenares o outro, mas para abrires caminhos novos à tua mente e ao teu coração.
“O Filho do Homem”: Senhor do tempo e da história, maestro do descanso divino, horizonte do viver e do construir. A Ele pertencem os teus dias, todos eles, e por isso é importante que consagres alguns para a celebração e o louvor.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.