







P. Carlos Carneiro, sj
Vozes
Maria Helena Falé
Luís Santos
Seleção das Músicas
Margarida Corsino
«Music of Unity and Peace (2014)» © Direitos de autor reservados Appe ID (iTunes)
Hoje é dia cinco de abril, Domingo da Ressurreição do Senhor.
Ninguém nos pode roubar a alegria de saber que o Senhor está vivo. Que tudo em nós se estruture a partir do dom da Alegria e do anúncio que queremos fazer a todo o mundo que a Vida é interminável.
Os que amamos não ficam condenados aos sepulcros. Cristo ressuscitado “casou-se” com a nossa humanidade e divinizou a nossa carne e o nosso sangue. A nossa humanidade passou a ser de condição divina. Não há pedra de nenhum sepulcro que não possa ser aberta. A urgência da alegria é uma exigência da fé. Cristo ressuscitou. Somos testemunhas.
Da Carta de São Paulo aos Romanos.
Rm 6, 3-11
Todos nós que fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte. Fomos sepultados com Ele pelo Batismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Se, na verdade, estamos totalmente unidos a Cristo pela semelhança da sua morte, também o estaremos pela semelhança da sua ressurreição. Bem sabemos que o nosso homem velho foi crucificado com Cristo, para que fosse destruído o corpo do pecado e não mais fôssemos escravos dele. Quem morreu está livre do pecado. Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos, sabendo que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não pode morrer; a morte já não tem domínio sobre Ele. Porque na morte que sofreu, Cristo morreu para o pecado de uma vez para sempre; mas a sua vida é uma vida para Deus. Assim vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus”.
Hoje é dia de Páscoa, o dia mais esperado, o dia que faltava à criação. Cristo morreu, mas venceu a morte. Morremos para vencer a morte. O nosso fim não tem fim, tal como Deus.
Cristo Ressuscitou. Não temos nada maior para viver, celebrar, anunciar. A morte deixou de ser definitiva. O ciclo da fatalidade terminou. A morte perdeu o jogo da vida. A ressurreição de Jesus mostra-nos como nada na vida dura tão pouco como a morte. Tantas vezes nos recusamos a acreditar que também a nossa vida nasceu para ser eterna e preferimos ficar soterrados no lamento e no impacto doloroso do luto e do não saber perder.
Há um novo livro do Génesis que começou a ser escrito na madrugada desta noite e que completa toda a narrativa da primeira criação. Deus, disse de novo, “Faça-se a Luz”. E fez-se. Não há nada mais luminoso do que a ressurreição de Cristo. Esta nova luz não é um clarão, um fogo ou uma lâmpada que se acende para não tropeçarmos nas trevas e nas sombras da noite. A Luz é uma pessoa, o início da vida indestrutível. Cristo Ressuscitado que assumiu a nossa carne e o nosso sangue, batiza-nos na sua morte e ilumina-nos na sua eternidade. É Ele a luz do mundo.
Como os apóstolos, o mundo treme com a descoberta da maior de todas as verdades da fé: o tumulo está vazio, o crucificado está vivo. As mulheres que foram ao sepulcro têm razão.
A Páscoa veio para ficar. Sem a Ressurreição, Jesus não é o Cristo e a nossa fé não passa de uma “ilusão”; quando muito, um sentimento de bondade bem intencionado, mas incapaz de transfigurar as nossas vidas e de nos fazer apóstolos da alegria. Fomos prometidos à Alegria da Ressurreição e nada há no ser humano que seja tão feliz e missionário.
A alegria da Páscoa não é uma alucinação, uma teimosia, uma engenharia social de comportamento. É a identidade amorosa de Deus e o único modo cristão e misericordiosos de existir, para que não haja nenhuma cruz sem Cristo e nenhum sepulcro sem porta de saída. A Alegria é um dom do Espírito que não se perde na tristeza. Quem ama nunca abandona a alegria.
Que sintamos, sem vacilar, os efeitos da Ressurreição, perto de Maria, a mãe de Jesus, que nunca deixou de saber e de acreditar que o seu filho nasceu para resgatar todo o pecado que não nos deixa viver à imagem e semelhança de Deus.
Mesmo feridos, mas com os medos vencidos, imitemos os discípulos que de traidores arrependidos passaram a apóstolos destemidos e acordaram o mundo com a notícia mais esperada: Cristo ressuscitou. Ressuscitou não para si, mas para nós. E por isso o podemos encontrar vivo e atuante, como nos prometeu, nas encruzilhadas e nas galileias deste mundo.
Aleluia.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.