







Textos: P. Vitaliy Osmolovskyy, sj
Tradução: Betânia Ribeiro
Guiões: Elias Couto
Seleção de músicas: Diogo Couceiro, sj
Vozes: P. Paulo Duarte, sj e Teresa Almeida (jornalista e editora da Renascença)
Sonoplastia: José Luís Moreira
«Verso la Gioia (2009)» © Direitos de autor reservados Appe ID (iTunes)
Ó Pai misericordioso e santo
Dá-nos sabedoria para te percebermos
Diligência para te procurarmos
Paciência para te esperarmos
Olhos para te contemplarmos
Um coração para meditar em ti
E uma vida para te proclamarmos
Através do poder do Espírito
De Jesus Cristo nosso Senhor.
Ámen.
Quando olhamos para a Terra de longe, do topo de uma montanha ou em fotografias do espaço, ela apresenta-se como um santuário ideal de paz. Um mundo azul e tranquilo, à deriva entre as estrelas, belo e íntegro, inspirando calma e harmonia. Mas, ao aproximarmo-nos, entramos no reino humano e emerge outra imagem: guerras, sofrimento e destruição da natureza. Coloca-se, então, uma questão importante: se a Terra é tão bela, por que razão a paz nela é tão escassa?
O nosso planeta, por desígnio, é um lugar de paz, criado por Deus como um espaço de harmonia e equilíbrio. No entanto, os humanos, tendo perdido a paz interior e a ligação com o Criador, transformaram-no numa arena de conflito. A verdadeira paz só é possível quando nasce dentro da alma humana e flui para fora.
A Sagrada Escritura diz: "Deus, vendo toda a sua obra, considerou-a muito boa". Este "muito boa" nomeia o mundo no seu princípio, a integridade da existência. Na Bíblia, a paz é mais do que a ausência de conflito; é a harmonia de toda a criação com o seu Criador. A Terra, a natureza e a humanidade viviam juntas num único sopro de amor.
A Queda, porém, perturbou esta ordem. O homem procurou tornar-se a medida do bem e do mal por direito próprio. A partir desse momento, o mundo perdeu o seu equilíbrio interior. As pessoas começaram a procurar a paz fora de si mesmas – no poder, na riqueza e no domínio. No entanto, como diz o profeta Isaías: "Não há paz para os maus". Isto significa que, sem a purificação do coração, nenhum esforço humano trará a verdadeira paz.
Os filósofos afirmam que a harmonia é a concordância dos opostos. A teologia acrescenta que a verdadeira harmonia nasce do amor. Cristo disse aos seus discípulos: "Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo que Eu vo-la dou". Esta "paz de Cristo" não é meramente uma condição exterior, mas interior e espiritual. Só as pessoas reconciliadas consigo mesmas e com Deus podem fazer da sua terra um lugar de paz.
A Terra permanece bondosa. Aceita pacientemente as nossas feridas, restaura a vida a partir das cinzas e fornece alimento e água. Recorda o plano do Criador e espera que a humanidade volte a ser a sua guardiã e não a sua destruidora. É essencial reconhecer e compreender que o fundamento do plano do Criador é o amor. O evangelista João diz que Deus é amor, o que significa que tudo o que Ele faz é também uma expressão de amor. No entanto, em tempos de guerra, conflito e injustiça, é difícil discernir esse amor e, muitas vezes, tudo o que sentimos é a destruição. O amor é o dom mais sagrado dentro de nós. O mundo é atacado quando nos é roubada a hipótese de viver. Para uma pessoa de fé, quando o amor desaparece, Deus também parece desaparecer. Por isso, enquanto seres humanos, pessoas de boa vontade, uma das nossas tarefas é apoiar e encontrar em cada pessoa, sem exceção, a luz da esperança, a luz da Páscoa e a luz da paz. É desafiante e, de facto, não é isso que desejamos quando a raiva nos domina. É difícil quando o teu vizinho quer decapitar o amor e a liberdade.
O caminho para a paz começa connosco. Com cada pessoa. Com cada coração. Não com ordens ou frases estridentes, mas com uma escolha interior a favor da bondade, da compaixão e da não-violência. A paz nasce quando uma pessoa aprende a escutar e a ouvir, a compreender e a perdoar. Cresce a partir de ações simples, mas sinceras – de um olhar afetuoso, de uma mão estendida, de uma palavra oportuna de apoio. Quando cultivamos a bondade, a tolerância e a humanidade em nós próprios e nos nossos filhos, construímos o fundamento de um futuro no qual o ódio não tem lugar. Devemos superar a sombra da desconfiança que divide as pessoas há séculos. Devemos aprender a ver os outros não como inimigos, mas como irmãos e irmãs, não como ameaças, mas como entes queridos. Os portadores desta luz são as nossas crianças, nutridas nas famílias, nos jardins de infância e nas escolas. Uma luz capaz de dissipar as trevas da indiferença e da hostilidade. Cada ato de bondade, cada palavra dita com amor é um passo em direção à paz e a um mundo que começa não num lugar distante, mas no coração de cada um de nós.
Estar em paz não é um processo estático, mas dinâmico, de equilíbrio constante, que abrange tanto a nossa vida interior como as nossas relações com os outros. A paz cresce com gestos atenciosos, palavras encorajadoras e atos de bondade. Que este seja um apelo à ação para todos nós encarnarmos a paz nas nossas vidas diárias, transformando-nos a nós próprios e ao mundo que nos rodeia.
Ao abraçarmos a paz, tornamo-nos faróis de esperança e agentes de mudança num mundo que se esforça para alcançar a harmonia. Esta harmonia é possível, mas deve começar dentro de nós – nos nossos corações, vidas quotidianas, mentes, comunidades, famílias e no equilíbrio entre o corpo, a alma e o espírito. Juntos, através de um esforço partilhado, podemos moldar um futuro onde a paz seja a realidade prevalecente, onde a compreensão, o respeito e o amor triunfem sobre o conflito e a discórdia.
O nosso planeta pode tornar-se um lugar de paz, mas apenas quando a humanidade restaurar em si mesma a imagem que inicialmente foi destinada a ser. A paz não vem através de armas e tratados; nasce num coração santificado pelo amor. E quando cada pessoa encontrar esta paz interior, a profecia será cumprida: "Não haverá dano nem destruição em todo o meu santo monte". A terra já traz em si a semente da paz. Mas esta, para germinar, precisa da nossa permissão.
Nada há nada mais prático
do que encontrar a Deus;
do que amá-lo de um modo absoluto
e até ao fim.
Aquilo por que estejas enamorado
e arrebate a tua imaginação
afetará tudo.
Determinará
o que te há de fazer levantar de manhã
e o que hás de fazer dos teus entardeceres;
como vais passar os fins de semana,
o que vais ler
e quem deves conhecer;
o que te parta o coração
e o que te encha de assombro
com alegria e agradecimento.
Enamora-te, permanece enamorado,
e, assim, tudo ficará decidido.