



VOZES
Joana Viana Lopes e família
SELEÇÃO DAS MÚSICAS
Margarida S. Mendes
«Nos passos de Jesus (2021)» © Direitos de autor reservados Appe ID (iTunes)
«NA» © Direitos de autor reservados Appe ID (iTunes)
Olá, Jesus. Venho mais uma vez estar uma bocadinho contigo. Parece-me que hoje tens uma coisa muito importante para me dizer, do tipo "olhar com os olhos do coração"… Isso para mim é muito difícil porque gosto de ver para crer, e essa coisa de olhar com o coração parece-me muito estranha… Peço-te que me ensines a ver de outro modo, para descobrir o que realmente me queres dizer.
Tomé era um dos amigos de Jesus. Um dia chegou a casa e encontrou todos os outros muito emocionados e nervosos. «O que se passa? – perguntou. «Jesus esteve aqui», dizia um. «Ele está vivo», acrescentou outro. «Desejou-nos a paz e quer enviar-nos ao mundo inteiro», explicou outro. Mas Tomé não estava para conversas. «Não acredito!», disse. «Mas não acreditas porquê?», perguntou-lhe um dos amigos. «Olha, eu, se não o vir e não lhe tocar, não acredito. Como é que pode estar vivo?» – respondeu Tomé. E apesar de o tentarem convencer, Tomé ficou na dele, sem acreditar.
Uma semana depois, estavam todos reunidos outra vez, e Tomé também. E Jesus apareceu no meio deles. Ficaram muito surpreendidos. Jesus aproximou-se de Tomé. Pegou-lhe na mão e aproximou-a das feridas que lhe tinham ficado dos pregos. Tomé tremia de medo, mas também de emoção, porque percebeu que, na verdade, era Jesus. Então abraçou-o e disse-lhe: "Meu Senhor e meu Deus". Estava muito feliz por ver Jesus vivo e com alguma vergonha de não ter acreditado antes. Jesus, olhando para Tomé e também para os outros, disse: "Felizes os que acreditam sem terem visto" (que era o mesmo que dizer-lhes: "Felizes os que acreditam com os olhos do coração").
E desapareceu. Mas eles sabiam que Jesus estava vivo e que nunca deixaria de estar com eles.
Obrigado, Jesus, pelos olhos que permitem ver o céu azul, a erva verde e as flores na primavera… Que permitem ver a chuva na janela e o sorriso das pessoas.
Obrigado também por esses outros olhos que me deste. Uns olhos que não têm cor, nem choram, nem sequer pestanejam. Uns olhos que estão dentro de mim, com os quais posso ver o invisível… Com eles vejo o carinho, o companheirismo, a alegria… Também vejo quando um amigo está menos bem, quando alguém precisa de algo, quando há medo e injustiça no mundo. Diz o livro O Principezinho que "o essencial é invisível aos olhos, só se vê com o coração…". Penso que é mais ou menos isso o que me queres dizer hoje com a tua palavra.
Agora já percebo, Jesus. Os olhos do coração sentem. E sentem sobretudo que tu estás junto de mim, mesmo que às vezes, como Tomé, eu não te consiga ver até dar de caras contigo…
Jesus, peço-te que me ensines a reconhecer-te quando passas ao meu lado. Pode acontecer, às vezes, que o egoísmo ou as minhas pressas me impeçam de ver o essencial, que é invisível: a alegria, a tristeza, o amor, o medo, a solidão, a amizade… Mas, então, chegas tu, tiras o que me está a tapar os olhos – do coração, claro – e levas-me pela mão.
Jesus, hoje quero aprender a fazer as coisas de modo diferente…
Olhar com outros olhos, os que sabem ver o que há de bom nos outros, os que olham com ternura e não com desprezo.
Escutar com outros ouvidos, os que estão atentos a quem precisa, que têm tempo para os outros e não são indiferentes…
Tocar com outras mãos, capazes de acariciar e abraçar, de se estenderem para quem precisa, e que nunca empunham armas de ódio ou vingança…
Saborear cada instante, apreciá-lo para não o perder. Porque cada momento passado com as pessoas que amo é único…
E cheirar… o perfume da brisa, a chuva sobre a terra molhada e o amor que me ofereces em cada manhã…