







Ao começarmos este caminho com os discípulos de Emaús, lembra-te: Deus já olha para ti com um amor imenso. Tira um momento para abrandar… para ficar em silêncio… e para abrir o coração à alegria do Evangelho – uma alegria que, como dizia o Papa Francisco, “enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus”.
Entremos no Evangelho de São Lucas e acompanhemos os discípulos no caminho de Emaús. Tira um momento para relaxar… e imaginar a cena como se estivesses lá.
Como é a estrada? Larga? Estreita? É pavimentada… ou cheia de pó? Há árvores pelo caminho? Passa mais gente por ali… ou estão apenas Jesus e os discípulos? Como é a luz? Quão forte é o sol da tarde?
A passagem é um pouco longa, por isso vamos percorrê-la devagar – em pequenas secções. Depois de cada uma, haverá uma breve pausa para te ajudar a permanecer nela… e a saborear mais profundamente este encontro com Jesus.
Naquele mesmo dia, dois dos discípulos dirigiam-se para uma povoação chamada Emaús, que ficava a cerca de onze quilómetros de Jerusalém. Conversavam um com o outro sobre tudo o que tinha sucedido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus aproximou-se deles e pôs-se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de o reconhecerem.
Disse-lhes Jesus: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?» Eles pararam, com ar muito triste. E um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único forasteiro em Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias!» Perguntou-lhes Ele: «Que foi?»”
(cf. Lc 24, 13-19)
Somos apresentados às pessoas desta história: dois discípulos no caminho de Emaús. Um chama-se Cléofas. O outro permanece sem nome – pode ser um amigo… até a sua esposa. Caminham juntos, presos numa conversa pesada. Parecem tristes. Na luz intensa da tarde, Jesus aproxima-se e junta-se a eles — mas eles não o reconhecem. Tira um momento para os imaginar. Como serão os seus rostos?
Jesus perguntou-lhes: “Que foi?” E eles responderam:
“O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os sumos sacerdotes e os nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, com tudo isto, já lá vão três dias desde que estas coisas aconteceram. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deixaram admirados: foram de madrugada ao sepulcro e, não tendo encontrado o corpo de Jesus, vieram dizer que tinham visto anjos, que afirmavam que Ele estava vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele, não o viram”.
Então Jesus disse-lhes:
“Homens sem inteligência e lentos de coração para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” E, começando por Moisés e seguindo por todos os Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que lhe dizia respeito.
(cf. Lc 24,19-27)
Repara no movimento destas palavras. Os discípulos, frustrados, partilham a sua esperança – a esperança de que Jesus fosse o Messias. Uma esperança que parecia ter desabado com a sua morte na Cruz. E é precisamente aí – no meio da confusão e da desilusão – que Jesus começa a falar. Abre as Escrituras… e algo de novo começa a abrir-se nos seus corações.
Tira um momento para imaginar: o que estarão os discípulos a sentir ao perceber que a Palavra de Deus fala diretamente para eles – para as suas esperanças, desejos e lutas? Se for difícil imaginar, não faz mal. Permanece apenas junto deles… e tenta entrar suavemente no seu coração, sem forçar nada.
Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de seguir para diante. Mas eles convenceram-no com insistência: «Fica connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. Quando estava à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no. Mas Ele desapareceu da sua presença”.
A conversa com Jesus era apenas o começo de algo maior – um caminho de proximidade mais profunda. Eles convidam-no a entrar. Sentam-se à mesa. E então algo acontece: Jesus toma o pão, pronuncia a bênção e parte-o. Naquele instante… os seus olhos abrem-se. Estes gestos parecem familiares – como se já os tivessem visto antes. Noutras mãos… noutra presença… Ou será a mesma? Algo muda. O espanto regressa. Os seus corações despertam novamente para a ação de Deus.
Permanece nesse momento. O que achas que eles estavam a sentir? E tu – o que sentirias sentado ali com eles?
Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» Levantando-se imediatamente, voltaram para Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os seus companheiros, que lhes disseram: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». E eles contaram o que tinha acontecido pelo caminho e como o tinham reconhecido ao partir o pão”.
Um poeta disse que há partes do coração que não existem… até ao dia em que começam a arder dentro de nós. Algo assim acontece aos discípulos – mas como dom do Espírito Santo. É através desse fogo interior que reconhecem Jesus. E tudo muda. Levantam-se da mesa – como quem se levanta da tristeza… e até da morte. E regressam a Jerusalém. Sem hesitação. Sem medo da noite. Apenas urgência. Não uma urgência feita de pressão, mas a urgência de um coração cheio da alegria do Evangelho.
Permanece com esta imagem: como será essa alegria?
Imagina os discípulos a partir em direção a Jerusalém — passos rápidos, coração cheio de alegria. Não conseguem guardar para si o que aconteceu no caminho… como o reconheceram ao partir o pão.
Permanece nessa cena. O que sentes ao observá-los? Tira agora um momento… e fala com Jesus sobre isso.
Senhor Jesus,
Tu deste-me tudo –
a tua Palavra,
a tua Presença,
a tua Amizade.
Agora entrego-me a ti,
porque desejo estar disponível
para a tua missão de compaixão.
Dá-me apenas o teu amor e a tua graça.
Isso me basta.
Ámen.