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Ao continuarmos este caminho com os discípulos de Emaús, lembra-te: Deus já olha para ti com um amor imenso – e deseja falar contigo… e escutar-te.
Tira um momento para abrandar… para entrar no silêncio… e abrir o coração a este belo mistério: um Deus – o Pai de Jesus Cristo – que toma a iniciativa de começar connosco um diálogo de salvação, como dizia o Papa Paulo VI.
Naquele mesmo dia, dois dos discípulos dirigiam-se para uma povoação chamada Emaús, que ficava a cerca de onze quilómetros de Jerusalém. Conversavam um com o outro sobre tudo o que tinha sucedido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus aproximou-se deles e pôs-se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de o reconhecerem. Disse-lhes Jesus: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?» Eles pararam, com ar muito triste. E um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único forasteiro em Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias!» Perguntou-lhes Ele: «Que foi?» Responderam-lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os sumos sacerdotes e os nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, com tudo isto, já lá vão três dias desde que estas coisas aconteceram. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deixaram admirados: foram de madrugada ao sepulcro e, não tendo encontrado o corpo de Jesus, vieram dizer que tinham visto anjos, que afirmavam que Ele estava vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele, não o viram». Disse-lhes Jesus: «Homens sem inteligência e lentos de coração para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?» E, começando por Moisés e seguindo por todos os Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que lhe dizia respeito”. (Lc 24, 13-27)
Dois discípulos caminham de regresso a casa, carregando mais do que o peso do próprio caminho – carregam a perda de Jesus, aquele em quem tinham colocado a sua esperança. Jesus toma a iniciativa de se aproximar e faz uma pergunta simples: “Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?” Ele não começa por explicar nem por dar lições. Escuta.
Jesus ressuscitado revela-te um Deus profundamente interessado em ti. Isto surpreende-te? Experimentas Deus como alguém que escuta as tuas alegrias e esperanças, as tuas tristezas e angústias… um Deus que deseja falar contigo?
A Palavra de Deus não é apenas uma informação sobre o divino. Conta a história de um povo que aprende a ser libertado – um caminho marcado pela confiança e pela dúvida, pela beleza e pela traição. Tudo conduz a Jesus, a Palavra feita carne, que caminha connosco rumo a essa liberdade.
Lembras-te de algum momento em que a proximidade de Jesus te fez sentir mais livre? Livre para reconhecer o amor de Deus na tua vida?
Jesus, a Palavra de Deus, não é um Deus que apenas fala: começa por escutar os seus amigos e discípulos. E não escuta de forma passiva… nem quer que tu escutes passivamente. A escuta passiva é para servos, não para amigos.
Escuta Jesus que te pergunta: Sobre o que falas pelo caminho? O que se move dentro do teu coração? O que me queres dizer? O que vês à tua volta?
Fala-lhe de coração a coração.
Nesta passagem, Cléofas conta a Jesus que as mulheres tinham visto anjos e dito que Ele estava vivo – mas eles não acreditaram. Às vezes, os sinais de vida nova já estão presentes… mas nós não os percebemos. A superficialidade ou a lentidão do coração podem tornar-nos menos atentos.
Existem sinais de ressurreição na tua vida? Pequenas coisas de que talvez ainda não tenhas a certeza… mas que, de algum modo, despertam esperança dentro de ti?
Jesus interpreta a sua missão, morte e ressurreição, referindo-se a Moisés e aos Profetas – porque Moisés libertou o povo e os Profetas anunciaram a necessidade de uma nova liberdade, quando Deus escreveria a sua lei no coração do seu povo. Mais tarde, os discípulos dirão que, enquanto Jesus lhes explicava as Escrituras, o coração ardia dentro deles.
Fala com Jesus sobre este momento de oração… e, se quiseres, pede-lhe que faça arder também o teu coração.
Senhor Jesus,
Tu deste-me tudo –
a tua Palavra,
a tua Presença,
a tua Amizade.
Agora entrego-me a ti,
porque desejo estar disponível
para a tua missão de compaixão.
Dá-me apenas o teu amor e a tua graça.
Isso me basta.
Ámen.