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O fim do nosso caminho com os discípulos de Emaús é, na verdade, o começo de um novo caminho: o seu regresso à comunidade de Jerusalém, depois de reconhecerem Jesus no partir do pão. Agora imagina-te na sua presença – Jesus que é “o rosto da misericórdia do Pai”, como nos ensina o Papa Francisco.
Deixa que Ele te olhe com compaixão… e permite que esse olhar entre dentro de ti, abrindo o teu coração a um silêncio mais profundo e a uma disponibilidade serena para estar com Ele.
Entremos nos versículos finais do Evangelho de São Lucas e encontremos os discípulos de Emaús no momento em que deixam a mesa e regressam à comunidade.
“Quando Jesus estava à mesa com eles, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no. Mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?»
Partindo imediatamente, voltaram para Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os companheiros, que lhes disseram: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como o tinham reconhecido ao partir do pão”.
(Lc 24, 30-35)
À mesa, Jesus dá-nos olhos novos para reconhecer a presença de Deus no mundo. E, à medida que começamos a vê-lo mais claramente, tornamo-nos capazes de o amar e servir em todas as coisas.
Isto diz-te alguma coisa? Consegues recordar um momento em que reconheceste a presença de Deus na tua vida?
A presença de Deus no mundo é como pão partido – oferecido para alimentar todos. Ele entrega-se continuamente, para que todos tenham vida em abundância.
Com os discípulos de Emaús, recorda agora uma graça que recebeste. Por exemplo, o teu nascimento, ou o dom da fé em Jesus, uma qualidade tua, um momento em que a vida de Deus te tocou por dentro e te ajudou a viver de forma mais plena. Dá graças.
A presença de Deus toca tudo. Como diz um hino de John Rutter: “Tudo aquilo de que precisamos e que amamos vem do Senhor; somos as suas mãos, guardiões dos seus dons.” Também os discípulos de Emaús reconheceram a proximidade de Deus na amizade de Jesus, no calor da luz da tarde, numa boa conversa e na mesa partilhada.
Que sinais da bondade de Deus te vêm agora ao coração? Dá graças.
A presença de Deus é ativa – como a de um artesão que trabalha pacientemente, moldando algo único dentro do teu coração e formando-te para seres uma pessoa para os outros. Depois de reconhecerem Jesus, os discípulos perceberam que o seu coração já ardia dentro deles – Deus estava a agir. E continua hoje a agir, dentro e à tua volta. Os frutos do Espírito ajudam-nos a reconhecer esta presença discreta: “amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio de si” (cf. Gal 5, 22-23).
Experimentaste algum destes frutos durante este retiro… ou nos últimos dias? Que desejos despertam em ti?
Depois de reconhecerem Jesus e perceberem que o Espírito de Deus lhes tinha posto o coração a arder, os discípulos partiram em missão. Vemos o mesmo movimento em muitos cristãos ao longo dos séculos. Por exemplo, Santa Teresinha de Lisieux escreve: “uma alma abrasada de amor não pode permanecer inativa”.
Este tempo de oração – caminhando com Jesus rumo a Emaús – despertou um novo fogo dentro do teu coração? Tira agora alguns momentos para falar com Jesus sobre isso.
Senhor Jesus,
Tu deste-me tudo –
a tua Palavra,
a tua Presença,
a tua Amizade.
Agora entrego-me a ti,
porque desejo estar disponível
para a tua missão de compaixão.
Dá-me apenas o teu amor e a tua graça.
Isso me basta.
Ámen.